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Um poeta do povo

Outro dia conhecemos um Senhor aqui que nos encantou com sua história. È um trabalhador humilde, que nunca aprendeu a ler e nem escrever, no entanto criou lindos poemas e ditando conseguir publicar vários livrinhos.

Faço aqui uma homenagem a este poeta. Esse é um dos poemas mais bonitos dele em minha opinião, pois foi uma história que ele viveu e sobreviveu a essa história para contá-la sem nunca perder a esperança e a alegria de viver.

HOMENS QUE SOFRERAM E MORRERAM NAS MATAS DO PARÁ
Autor: Chico Boa Vida – Tucumã – Pará



Quem tem memória boa
Bota tudo no padrão,
Vou contar uma história
Dos homens do Maranhão
Lá na Mata do Pará
No tempo da escravidão

Chegou os anos setenta
Mato Grosso e Pará
Levando os homens escravos
Para as matas derrubar,
Com um ano de serviço
Dizia não vou pagar.

Na fazenda tinha gado
Pra buscar os peões
O patrão dizia a eles
Trás homem do Maranhão,
Cuidado que ele não sabe
Que vem pra escravidão.

Depois do Maranhão
O gato ia chegar
Juntava cinqüenta homens
Que gostava de trabalhar
Dava um abono a família
E dizia vou lhe levar

As mulheres junto aos filhos
Já começava a chorar
Dizendo o meu marido
Não sei se vai voltar,
Depois de noventa dias
Não posso mais esperar

Os homens subiam no carro
Começavam a viajar
Rodavam dia e noite
E nunca podia parar
Para os homens não saber
Onde iam trabalhar.

Conceição do Araguaia
Os peões iam chegar
Para as matas do Xingu
Com certeza iam voar
E o direito de comer
Só depois que chegar lá.

Mais de trezentos quilômetros
Os peões iam ficar
Só vendo a chuva cair
E a luz do sol brilhar,
Um olhava para o outro
Com vontade de chorar.

Comprava roupa e botina,
Para poder trabalhar,
Trinta dias de serviço
Não dava para pagar,
Aí lembrando do Maranhão
Quando é que eu vou voltar.

Os fazendeiros diziam:
Vocês podem conformar
Que a fazenda não tem
Estrada para voltar,
Só depois de dois anos
Que eu mando o avião levar.

Aí ficava na fazenda
Para essa conta pagar,
Não pensava ser vendido
O patrão lhe massacrava
Cobra, mosquito e malária.
Tudo isso tinha lá.

Desse jeito muitos homens
Ficavam nessa brincadeira
Enfrentando a triste vida
Pensando em ganhar dinheiro
Dois anos de escravidão
Na área dos fazendeiros

Do gerente da fazenda
O pão era assombrado
Trabalhava todo o dia
Só andava amedrontado
Ganhava e não recebia
E não podia falar nada.

Naquele tempo no Pará
Foi triste a situação
Era a lei da carabina
Da pistola e do facão,
Nas fazendas perigosas
Ninguém tinha proteção.

Pela bóia da fazenda
O peão lá trabalhava
O calçado e a roupa
O gerente descontava
E o resto da história
Dinheiro nunca falava.

Naquele tempo no Pará
Fazendeiro dominava
Quinhentos alqueires de mata,
No machado derrubava
E a divisa da fazenda
Pistoleiro segurava.

Muitos homens que morreram
Lá nas matas do Pará
Deixava sua mãe chorando
Dizendo eu vou trabalhar,
Eu conto essa história
Que também passei por lá.

Outros deixaram mulher
Os filhos sem condição
A mulher quebrando coco
Pra comprar o feijão
Não sabia que o marido
Tava lá na escuridão.

Com dois anos a família
Que estava a esperar,
Não tinha nem notícia
De quando ia chegar,
O companheiro chegava
Dizendo eu fugi de lá.

Outros tentavam fugir
Mas só davam o passo errado,
Subindo serra e descendo
Com medo de ser morto
Ia atravessar o rio
Aí morria afogado.

Quem não morria lá voltava
Trazido de avião
Ficava liso na cidade,
Procurando outro patrão
Cada fazenda que ia
Era a mesma condição.
As mulheres daqueles homens
Que estavam nos cativeiros
Os filhos passando fome
E eles sem mandar dinheiro
E o sogro preocupado
Foi cuidando dos netos deles.

Depois veio Redenção,
Rio Maria e Xinguara
Rodava o município
De Conceição do Araguaia
Os ricos não tinham dó
Dos pobres que trabalhavam.

Depois começou o grilo,
Ali no sul do Pará
Saindo de Xinguara
Para em São Félix começar
A ambição da madeira
Fazendo os homens se matarem

Para chegar no Xingu
Só ia de avião
No tempo da castelita
A grande mineração,
A folhar do Jaborandir
Era a maior produção.

Para chegar ao Iriri,
Atravessa o Xingu primeiro
Onde os homens de coragem
Pegavam muito dinheiro,
Tomando as terras dos outros
Para tirar a madeira.

Quem tinha muita coragem
Logo virou fazendeiro,
Fechava a área de picada
Dez quilômetros em cada aceiro,
Ninguém passava lá
Com medo dos pistoleiros.

Depois da área fechada
Segura por pistoleiros,
O avião levava rancho
Jogava nas clareiras,
E a turma ia de pé
Para derrubar madeiras.

Depois de toda madeira
Tava rolando no chão ,
Aí os tratores entravam
Para fazer o arrastão
Outras maquinas esplanando
E carregando caminhões.


Aí o dono da área
Que o outro tinha tomado
Ficava desesperado
Vendo a madeira tirada
Para não morrer ia embora
Não podia falar nada.

Quem enfrentou o Pará
No tempo da ambição
Uns morreram, outros correram
E outros compraram avião.
Quem tinha muita coragem
Enricou na região.

Noventa e oito no Iriri
Tinha homem de coragem
Com a escopeta na mão,
Matava gente demais
Era homem perigoso
O chefe da pistolagem.

A lei do grande Iriri
A bala era cruzada
Grilo de terra e a maconha
Que era negociada,
Polícia não ia lá
Porque ficava assombrada.

Os patrões diziam eu quero
Segurar a brincadeira
Se vocês tiverem coragem,
Quem não sair vai morrer
Eu preciso é da madeira.

Aí a turma chegava
Levando o avião
Outro fazendeiro picada
Começava a confusão,
Dia e noite na picada
Todos de arma na mão.

No outro dia o tiroteio,
Na hora da confusão
Só morria peão besta
Puxa-saco do patrão.
Quem pensa só em matar
Morre com arma na mão.

Teve homens que morreram
Com grande humilhação,
Jogava ele no mato
Não fala nem em caixão.
O jabuti que comia
Era sua salvação.

De Conceição ao Iriri
Tudo isso aconteceu,
Nos grandes grilos de terra
Foi os casos que se deu,
Muitas mães perderam os filhos
O jabuti que comeu.

Lá nas matas de São Felix
Um pequeno fazendeiro
Mandou matar uma família
Levando três pistoleiros
Mataram a mãe e a filha
E a neta por derradeira.

Quinhentos metros da sede
Depois foram enterrar
Jogando dentro do capim
Pra ninguém enxergar,
Mas a justiça de Deus
Fez os bandidos mostrar.

Depois das vitimas enterradas
Os bandidos combinaram,
Um sumiu para dentro da mata
Outro voltou para a cidade
Pensando ta escondido,
Mas só deram passo errado.

Depois que aconteceu o crime
A região abalou,
A cidade de Tucumã
O jornal anunciou
Que pegaram o criminoso
E ele se declarou.

O assassino estava preso
Começou a explicar
Onde enterrou o povo,
Com certeza vou mostrar
E o dinheiro que ganhamos
Jovenal quem vai pagar.

As viaturas seguiram
O repórter foi filmar
Trinta horas de viagem,
Na fazenda foi chegar
Foi levando o criminoso
Para os corpos arrancar.

Quem escutar a história
Cuidado não vá chorar,
Que tiver filho no mundo
Que saiu pra trabalhar
Se o jabuti comeu
Ele não vai mais voltar.

Hoje a bacia Amazônica
Já está em observação
Os países do primeiro mundo
Fazendo contribuição
A mata com o vento frio
Nos trás a respiração.

(...)

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